Há uns tempos detive-me com este texto, um pequeno capítulo da carta a Diogneto:
“Os cristãos não são diferentes dos outros homens nem pelo território, nem pela língua, nem pelo modo de viver.
Eles não moram numa cidade exclusivamente sua, não usam uma língua própria, nem levam um género de vida especial.
A sua doutrina não é conquista do pensamento e do esforço dos homens estudiosos, nem professam, como fazem alguns, um sistema filosófico humano.
Moram em cidades gregas ou bárbaras, como coube em sorte a cada um, e, adaptando-se aos costumes de vestir, de comer e em todo o resto de vida, dão exemplo de uma forma de vida social maravilhosa que, segundo todos confessam, é inacreditável.
Habitam na respectiva pátria, mas como estrangeiros; participam em todas as honras como cidadãos e suportam tudo como estrangeiros. (...)
Todas as terras estrangeiras são uma pátria para eles e todas as pátrias são terras estrangeiras...
Vivem da carne, mas não são segundo a carne. Moram na terra, mas são cidadãos do céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas através do seu teor de vida superam as leis.
Amam a todos e por todos são perseguidos. Não os conhecem e condenam-nos; dão-lhes a morte e eles recebem a vida.
São mendigos e enriquecem a muitos; encontram-se privados de tudo e tudo têm em abundância.
São desprezados e no desprezo encontram glória; difamam-nos e é reconhecida a sua inocência.
São injuriados e abençoam; são tratados de modo insolente e eles tratam com reverência.
Fazem o bem e são punidos como malfeitores; e, embora punidos, alegram-se quase como se lhes dessem a vida.
Mas os que odeiam não sabem dizer o motivo do seu ódio.
Numa palavra, os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo.”
O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas. Aprendeu a nomear o mundo. Separou com uma linha de água o que nele havia de sedentário daquilo que era nómada; sabe que o homem não foi feito para ficar quieto. A sedentarização empobrece-o, seca-lhe o sangue, mata-lhe a alma - estagna o pensamento. Al Berto
sexta-feira, 15 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Uma reflexão entre a Morte e a Vida
Há uns tempos atrás, fomos a um cemitério em Lisboa, o cemitério dos Prazeres. Lá encontramos um túmulo com a seguinte inscrição:
"A Fé une o que a Morte separa."
Vale a pena pensarmos nisto...
"A Fé une o que a Morte separa."
Vale a pena pensarmos nisto...
segunda-feira, 4 de maio de 2009
"Tudo o que sei do céu me vem do espanto que experimento perante a bondade inexplicável desta ou daquela pessoa, à luz de uma palavra ou de um gesto tão puros que me revelam bruscamente que nada no mundo poderia ser a sua origem. (...)
Há almas nas quais Deus vive sem que elas disso se apercebam. Nada deixa supor essa presença sobrenatural, senão a grande naturalidade que inspira aos gestos e às palavras daqueles em que habita."
Christian Bobin (n. 1951)
Há almas nas quais Deus vive sem que elas disso se apercebam. Nada deixa supor essa presença sobrenatural, senão a grande naturalidade que inspira aos gestos e às palavras daqueles em que habita."
Christian Bobin (n. 1951)
sexta-feira, 1 de maio de 2009
“Ter vocação” ou “ser chamado”?
"A vocação não se “tem” como algo próprio, conquistado ou devido por direito – nem a vocação à existência, nem à redenção, nem a desempenhar qualquer tarefa que seja, na Igreja. Não existe essa vocação que se teria como coisa disponível. Há um chamamento – a vocação é exterior à pessoa, apanha-a desprevenida, desinstala-a e muda-lhe o curso da existência. Assim aconteceu com Abraão, Moisés, os profetas, os apóstolos, Paulo... Assim acontece – deveria acontecer – com cada cristão. Em tempos de cristandade, porém, as coisas mudaram e, embora sem negar a iniciativa de Deus, o “chamamento” acabou conver-tendo-se em algo próprio de poucos, que “tinham” vocação. Desaparecido o ambiente de cristandade, com grande parte dos nossos contemporâneos oscilando entre a indiferença religiosa, o agnosticismo e o ateísmo, importa recuperar a percepção original da vocação como chamamento a seguir Cristo e a tornar-se membro da comunidade nova dos seus dis-cípulos. O resto – carismas, ministérios, entre eles, o de presbítero – virá por acréscimo. Não quer isto dizer que as vocações de serviço, na Igreja, não sejam importantes e que, concretamente, a Igreja possa seguir adiante sem o sacerdócio ministerial. Quer dizer, ape-nas, que é necessário olhar para a vocação a estes ministérios integrada na vocação primei-ra: o chamamento a ser discípulo de Cristo e membro da Igreja."~
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=72501
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia.asp?noticiaid=72501
domingo, 26 de abril de 2009
Esquecer e Perdoar
“Caminhavam pelo deserto e reconheceram-se de longe, porque eram ambos muito altos. Os irmãos sentaram-se na terra, fizeram uma fogueira e comeram. Guardavam silêncio, à maneira das pessoas cansadas, quando declina o dia. No céu aparecia uma ou outra estrela, que ainda não recebera nome. À luz das chamas, Caim reparou na marca da pedra na testa de Abel e deixou cair o pão que ia levar à boca, e pediu que lhe fosse perdoado o seu crime. Abel respondeu: tu mataste-me ou fui eu que te matei? Já não me lembro; aqui estamos juntos como dantes. Agora sei que, na verdade, me perdoaste – disse Caim –, porque esquecer é perdoar. Eu tratarei também de esquecer.”
J. L. Borges; O Elogio da Sombra
J. L. Borges; O Elogio da Sombra
sábado, 25 de abril de 2009
A Obra de Deus
Naqueles dias,
levantou-se um homem no Sinédrio,
um fariseu chamado Gamaliel,
doutor da Lei venerado por todo o povo,
e mandou sair os Apóstolos por uns momentos.
Depois disse:
«Israelitas,
tende cuidado com o que ides fazer a estes homens.
Há tempos, apareceu Teudas, que dizia ser alguém,
e seguiram-no cerca de quatrocentos homens.
Ele foi liquidado
e todos os seus partidários foram destroçados e reduzidos a nada.
Depois dele, nos dias do recenseamento,
apareceu Judas, o Galileu,
que arrastou o povo atrás de si.
Também ele pereceu
e todos os seus partidários foram dispersos.
Agora vou dar-vos um conselho:
Não vos metais com estes homens: deixai-os.
Porque se esta iniciativa, ou esta obra, vem dos homens,
acabará por si mesma.
Mas se vem de Deus, não podereis destuí-la
e correis o risco de lutar contra Deus».
Eles aceitaram o seu conselho.
Chamaram de novo os Apóstolos à sua presença
e, depois de os terem mandado açoitar,
proibiram-nos falar no nome de Jesus
e soltaram-nos.
Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria,
por terem merecido serem ultrajados
por causa do nome de Jesus.
E todos os dias, no templo e nas casas,
não cessavam de ensinar e anunciar a boa nova
de que Jesus era o Messias.
Actos 5, 34-42
levantou-se um homem no Sinédrio,
um fariseu chamado Gamaliel,
doutor da Lei venerado por todo o povo,
e mandou sair os Apóstolos por uns momentos.
Depois disse:
«Israelitas,
tende cuidado com o que ides fazer a estes homens.
Há tempos, apareceu Teudas, que dizia ser alguém,
e seguiram-no cerca de quatrocentos homens.
Ele foi liquidado
e todos os seus partidários foram destroçados e reduzidos a nada.
Depois dele, nos dias do recenseamento,
apareceu Judas, o Galileu,
que arrastou o povo atrás de si.
Também ele pereceu
e todos os seus partidários foram dispersos.
Agora vou dar-vos um conselho:
Não vos metais com estes homens: deixai-os.
Porque se esta iniciativa, ou esta obra, vem dos homens,
acabará por si mesma.
Mas se vem de Deus, não podereis destuí-la
e correis o risco de lutar contra Deus».
Eles aceitaram o seu conselho.
Chamaram de novo os Apóstolos à sua presença
e, depois de os terem mandado açoitar,
proibiram-nos falar no nome de Jesus
e soltaram-nos.
Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria,
por terem merecido serem ultrajados
por causa do nome de Jesus.
E todos os dias, no templo e nas casas,
não cessavam de ensinar e anunciar a boa nova
de que Jesus era o Messias.
Actos 5, 34-42
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Excerto da Mensagem de Bento XVI para o dia das Vocações
A vocação ao sacerdócio e à vida consagrada constitui um dom divino especial, que se insere no vasto projecto de amor e salvação que Deus tem para cada pessoa e para a humanidade inteira. O apóstolo Paulo – que recordamos de modo particular durante este Ano Paulino comemorativo dos dois mil anos do seu nascimento –, ao escrever aos Efésios, afirma: «Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, do alto dos céus, nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. Foi assim que n’Ele nos escolheu antes da constituição do mundo, para sermos santos e imaculados diante dos seus olhos» (Ef 1, 3-4). Dentro da vocação universal à santidade, sobressai a peculiar iniciativa de Deus ter escolhido alguns para seguirem mais de perto o seu Filho Jesus Cristo tornando-se seus ministros e testemunhas privilegiadas. O divino Mestre chamou pessoalmente os Apóstolos «para andarem com Ele e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar demónios» (Mc 3, 14-15); eles, por sua vez, agregaram a si mesmos outros discípulos, fiéis colaboradores no ministério missionário. E assim no decorrer dos séculos, respondendo à vocação do Senhor e dóceis à acção do Espírito Santo, fileiras inumeráveis de presbíteros e pessoas consagradas puseram-se ao serviço total do Evangelho na Igreja. Dêmos graças ao Senhor, que continua hoje também a convocar trabalhadores para a sua vinha. Se é verdade que, em algumas regiões, se regista uma preocupante carência de presbíteros e que não faltam dificuldades e obstáculos no caminho da Igreja, sustenta-nos a certeza inabalável de que esta é guiada firmemente nas sendas do tempo rumo à realização definitiva do Reino por Ele, o Senhor, que livremente escolhe e convida a segui-lo pessoas de qualquer cultura e idade, segundo os insondáveis desígnios do seu amor misericordioso.
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